pub-5238575981085443 CONTEXTO POLÍTICO.
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Editorial: Paraná Pesquisas aponta empate técnico entre Lula e Flávio Bolsonaro.


Acabamos de saber que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva finalmente convenceu Fernando Haddad a disputar o Governo de São Paulo. Não faz muito tempo, o nome de Rodrigo Pacheco foi anunciado como possível candidato do Planalto ao Governo de Minas Gerais. Isso traduz uma longa conversa entre o presidente Lula e seus apoiadores no sentido de, minimamente, equilibrar a disputa em estados importantes da Região Sudeste. O Instituto AltlasIntel, no dia de ontem, 26, trouxe alguns dados suficientes para deixar o Planalto em estado de alerta. Mais do que os dados - que mostram uma diferença pequeníssima em favor de Flávio Bolsonaro na disputa de um eventual segundo turno - o mais importante é identificar as motivações dos eleitores no sentido de produzirem uma queda de avaliação do Governo, que está se refletindo, quase que organicamente, nas intenções de voto do petista.  

Mais importante ainda é verificar o que está ocorrendo em regiões como Nordeste, um tradicional reduto petista. Anpassant, pode-se concluir que o PT já experimentou dias melhores nesta região. O cálculo que se fazia no sentido de obter um percentual "X" de votos no Sudeste seria suficiente para assegurar a vitória do PT, em razão da larga vantagem no Nordeste talvez precise ser refeito. Outro problema diz respeito aos "eleitores tradicionalmente identificados com o partido, como aqueles eleitores dos extratos sociais mais baixo da pirâmide social. Como está se comportando este eleitorado? O voto majoritário da periferia de São Paulo em candidatos com perfil conservador é um alerta que não poderia ser desprezado. Sobre o nicho evangélico, já tratamos disso antes. Estima-se que, a partir de 2030, ninguém chega ao Palácio do Planalto sem antes contar com as bençãos dos irmãos. 

Hoje saíram os dados da pesquisa de intenção de voto do Instituto Paraná Pesquisas, um dos institutos mais bem credenciados. A pesquisa seria publicada no dia de ontem, mas isso não altera em nada os números preocupantes para o Planalto, que já sabia do resultado, posto que antecipado por alguns órgãos de comunicação. O PT está como aquele náufrago tentando sair de braçada da corrente de retorno. Quanto mais se debate mais cansa e, se não houver um salvamento ou nadar para o lado correto, pode vir a se afogar. Sem que se saiba nada sobre como seria um Governo de Flávio Bolsonaro - atributo de uma inconsistência tremenda à sua candidatura - o fato é que ele conseguiu arregimentar o eleitorado bolsonarista raiz, aquele eleitor que votaria no seu pai que está preso. 

A reticência de parte desses grupos vão, aos poucos, sendo diluídas, principalmente em relação àqueles núcleos de dissidências dentro do próprio escopo do bolsonarismo. Até o pastor Silas Malafaia já andou dizendo que Eduardo Bolsonaro faria melhor à candidatura de Flávio se se mantivesse em silêncio. Pois bem. Nesta pesquisa de hoje Lula aparece à frente, com 39,6% das intenções de voto, mas encostado em Flávio, que crava 35,3% das intenções de voto, uma diferença de apenas 4 pontos, caracterizando um empate técnico, dentro da margem de erro do Instituto. Isso no primeiro turno. No segundo turno, tanto Flávio quanto Ratinho Junior aparecem igualmente em empate técnico com o morubixaba petista. 

Uma tempestade perfeita de problemas enfrentados pelo Planalto. O escândalo do Banco Master, num enredo nebuloso, de proporções gigantescas, enredando a metade da República; o desastre na Marquês do Sapucaí, ampliando o hiato com os evangélicos e levando segmentos conservadores a viraram a cara para a legenda; A quebra de sigilo bancário do Lulinha, agravada pela delação premiada de integrantes da alta cúpula do INSS, envolvendo nomes ligados ao Governo, a exemplo do ex-Ministro Carlos Lupi, segundo informa o site Metrópoles. A oposição está se antecipando para pedir a quebra de sigilo fiscal e bancário também de Carlos Lupi. Esta delação premiada do alto escalão do INSS pode ter um efeito devastador, sobretudo num ano eleitoral. O pior é que o "Careca" também está na fila. 

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

Editorial: AtlasIntel aponta Flávio à frente de Lula no segundo turno.

 



Quando saírem os novos escores do ranking de corrupção mundial, se estávamos perdendo alguns pontinhos, tenham certeza os senhores que já estaremos recuperando as primeiras posições. Nos últimos dias, foram expostas as vísceras deste mal crônico que assola o país desde 1500. Somente aqui em Pernambuco, durante a Operação Vassalo, realizada pela Polícia Federal, por determinação do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, estima-se que o desvio de verbas públicas de emendas parlamentares tenha atingido a cifra dos 100 milhões. Agora há pouco, depois da revelação do site Metrópoles sobre possíveis delações premiadas encetadas por membros do alto escalão do INSS, que estão presos, sugere-se que o nome do filho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Fábio Luiz Lula da Silva, pode estar arrolado no esquema de desvios do órgão. Sugere-se que, supostamente, o Lulinha receberia uma mesada da ordem de R$ 300 mil por mês. O próprio Camilo Antunes, o "Careca do INSS", segundo dizem, deseja entrar no programa de delação premiada. 

O PT, então, preparou uma tropa de choque na sessão da CPMI do dia de hoje, com o objetivo de evitar que ele possa ser convocado ou tenha seu sigilo fiscal quebrado. Sabe-se lá o dano que isso poderia produzir à campanha do petista. A manobra não deu certo. A oposição conseguiu aprovar a pauta, levando os parlamentares governistas ao desespero, ao ponto de promoverem agressões a membros da oposição. Nem o presidente dos trabalhos, o senador Carlos Viana, escapou das agressões. Muito ponderado e equilibrado, como sempre ele manteve a postura serena. Não conhecíamos o trabalho do senador Carlos Viana, mas ele merece o respeito de todos os brasileiros pela condução dos trabalhos naquela comissão. Sereno, republicano, correto e justo. Não merecia a fúria de membros do PT. 

Assunto é o que não falta no dia de hoje, um dia verdadeiramente de ebulição política, se considerarmos, por exemplo, o "enquadramento" que os senador Girão deu no Presidente do Senado Federal, Davi Alcolumbre, em relação aos inúmeros pedidos de impeachment parados e, sobretudo em razão da pousa disposição demonstrada em instaurar a CPI do Banco Master, um escândalo de dimensões gigantescas. Outro fato dos mais relevantes foi a quebra de sigilo e as convocações promovidas pelo relator Alessandro Vieira, no curso dos trabalhos da CPI do Crime Organizado. Alessandro Vieira, assim como Alfredo Gaspar estão realizando um trabalho primoroso.  

Só não falamos até aqui sobre a pesquisa recente do Instituto AtlasIntel, que aponta uma "vantagem" numérico do candidato Flávio Bolsonaro sobre o presidente Lula num eventual segundo turno entre ambos. Realizada depois do carnaval, sob a ressaca dos inúmeros equívocos associados ao PT durante o Desfile da Marquês de Sapucaí, não surpreende esses números. Os dados coletados refletem, igualmente, a queda dos índices de aprovação do Governo Lula 3. Estima-se que hoje saia a pesquisa do Instituto Paraná Pesquisas, que devem confirmar aqueles números desagradáveis para o Planalto. Pesquisas internas indicavam tal possibilidade. Possivelmente realizadas pela SECOM.  

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026

Editorial: Flávio ultrapassou Lula?



Quem lê um pouco sobre o Brasil não estranha alguns fatos, a exemplo da corrupção sistêmica; do "jeitinho" dos penduricalhos ou das chantagens com os vazamentos de informações sigilosas. Fica configurada, claramente, uma rede de proteção montada para proteger aquele banqueiro encrencado até a medula. O problema é que o cara enredou metade da República. E, por falar em "vazamentos", ainda neste final de semana começaram a circular informações antecipando uma pesquisa que será publicada ainda amanhã, 26, pelo Instituto Paraná Pesquisas, com uma suposta dianteira do candidato Flávio Bolsonaro sobre Lula. O Planalto estaria em polvorosa, uma vez que, segundo pesquisas internas, tal tendência já teria sido verificada. 

Dois fatores poderiam explicar esta liderança de Flávio, de acordo com os analistas. Mesmo com uma candidatura inconsistente - uma vez que não se sabe o que ele fará na Presidência da República, algo que ele evita falar até porque não tem experiência de gestão da máquina - Flávio consegue arregimentar o apoio do voto bolsonarista raiz, ou seja, aqueles eleitores que estariam dispostos a votar no seu pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro. Uma transferência de voto automática. Uma outra razão seria o "desastre" da Marquês de Sapucaí, quando o ex-presidente Lula recebeu uma homenagem controversa da escola de samba Acadêmicos de Niterói. Além dos problemas relativos a uma enxurrada de ações por suposta "campanha antecipada", o PT amarga o ônus da "narrativa" do enredo, comprometendo ainda mais a sua relação com grupos de eleitores evangélicos e conservadores. 

Não se pode, em nenhuma hipótese, negligenciar o nicho eleitoral dos evangélicos. Estimativas de crescimento deste nicho sugerem que, talvez a partir da próxima eleição presidencial, eles sejam decisivos para assegurar um assento na cadeira do Palácio do Planalto. O PT vai mal com este nicho desde as eleições passadas. Sugeriram várias estratégias de reaproximação, nenhuma delas bem-sucedida. Agora, diante do desastre da Sapucaí, estão sugerindo que a deputada Benedita da Silva possa serenar os ânimos entre este nicho e o PT, eximindo o PT da condenação antecipada ao inferno. Foi a própria Benedita quem havia sugerido, nas eleições passadas, que o PT poderia tentar este diálogo pela via "econômica", ao invés de definir uma estratégia específica. 

terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

Editorial: PL rachado?



Salvo em situações limites, geralmente essas coisas são "desconversadas" no mundo político. As indisposições entre os membros da cúpula do PL a nível nacional são recorrentes e antigas. Em princípio, o nome de Flávio Bolsonaro não seria a primeira opção do Presidente Nacional do PL, Valdemar da Costa Neto. Ele aquiesceu, assim como tantos outros, em razão da ausência de condições políticas de rejeitar uma indicação do ex-presidente Jair Bolsonaro que, igualmente, criou uma situação complicada em Santa Catarina, onde o governador Jorginho Melo teria um acordo com o PP, que acabou quebrando em nome da indicação de Carlos Bolsonaro de Caroline De Toni para concorrer as duas vagas abertas para o Senado Federal. Neste arranjo, o estado pode deixar de eleger alguém com a capacidade e expertise política de Esperidião Amim, que afirma que será candidato mesmo assim. 

Dos Estados Unidos, onde se encontra no momento, Eduardo Bolsonaro teceu algumas considerações críticas em ralação à atuação do deputado Nikolas Ferreira em favor da candidatura de Flávio Bolsonaro. Isso está rendendo tinta que é uma coisa. Mesmo encarcerado na Papudinha, segundo o próprio filho Carlos, Bolsonaro teria uma cadernetinha onde define os representantes do bolsonarismo em cada estado da Federação. Segundo Valdemar, os nomes seriam apenas para o Senado Federal. Temos nossas dúvidas. Em Pernambuco, as farpas trocadas são entre os representantes da família Ferreira e o ex-Ministro do Turismo, Gilson Machado, fiel escudeiro do bolsonarismo no Estado. Não vamos entrar nessas querela, mas, sinceramente, não sei de onde o ex-prefeito de Jaboatão do Guararapes, Anderson Ferreira, desejou por em dúvida o   o bolsonarismo de Gilson Machado. 

Conforme comentamos mais cedo, os arranjos estaduais para dá suporte à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro estão sendo costurados. Pelo andar da carruagem política, conforme ainda comentamos, Pernambuco é um desses estados problemas. Além do bom desempenho de Lula, o PL simplesmente não tem alternativa. A centrífuga aqui moe em favor dos nomes de João Campos e Raquel Lyra. Tanto Gilson Machado quanto Anderson Ferreira desejam mesmo é uma candidatura ao Senado Federal. 


Editorial: O acordo de Flávio Bolsonaro no Rio de Janeiro.


O cenário da disputa pelo Governo do Estado do Rio de Janeiro, certamente, promete ser um dos mais controversos. As disputas políticas naquele ente federativo sempre foram marcadas por tais características, mas, em 2026, teremos alguns ingredientes novos. Conhecedor dos mecanismos sobre os quais aquela engrenagem moe, o atual prefeito do Rio, Eduardo Paes, monta uma chapa com Deus e com Diabo na terra do Sol. Tem o apoio do PT e de segmentos do bolsonarismo, principalmente os evangélicos. Oficialmente, o candidato do PL, Flávio Bolsonaro, manteve um encontro com o atual governador Cláudio Castro, onde teria ajustado os termos de conduta para um eventual mandato tampão, assim como definido o nome que representará essas forças nas urnas. 

O nome ungido é o do delegado Felipe Curi, conhecido por sua atuação nas recentes investigas policiais contra o crime organizado nas favelas cariocas. Em se tratando de segurança pública, que será o maior gargalo das próximas eleições, não há dúvida de que ele poderá atrair um eleitorado identificado com as teses bolsonaristas, principalmente numa região colapsada e conflagrada, a exemplo do Rio de Janeiro. A candidatura de Flávio, embora inconsistente, está consolidada e talvez não haja mais retorno. Não se sabe o que Flávio Bolsonaro irá fazer na presidência, exceto indultar o pai que se encontra preso na Papudinha. Não é um candidato que convença pelos argumentos acerca dos grandes problemas nacionais. Sua pauta é o antipetismo e tudo que está associado a ele. 

Em alguns estados, a exemplo de Pernambuco e o Ceará, ele terá grandes dificuldades de construir um consenso acerca do palanque que venha a apoiá-lo. No Ceará os bolsonaristas estão com Ciro Gomes, que já foi execrado pela família Bolsonaro. Michelle Bolsonaro não perdoa declarações de Ciro sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro. Os bolsonaristas, por sua vez, asseguram que o próprio Bolsonaro deu sinal verde para as articulações. Em Pernambuco, a tendência é que a família Ferreira represente os interesses dos bolsonaristas no estado, principalmente depois do desligamento de Gilson Machado do PL. Ocorre, porém, que, em princípio, o grupo não almeja o Palácio do Campo das Princesas. Uma vaga ao Senado Federal já estaria de bom tamanho. Quem sabe uma chapa com o vereador Eduardo Moura, do Novo, que aparece com 10% das intenções de voto?  

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

Editorial: Morte de "El Mencho" gera onda de violência no México.


A morte de "El Mencho", chefe do cartel de Jalisco, no México, infelizmente não impedirá o tráfico de drogas para os Estados Unidos. Os cartéis de drogas do continente, desde algum tempo, estão organizados como verdadeiras empresas, não sendo portanto a morte de uma liderança suficiente para interromper o fluxo do comércio ilegal de entorpecentes. Muito embora esses "chefões", geralmente, sejam bons gerentes que emprestaram suas habilidades para atividades ilegais. Nemesio Rubén Oseguera, a exemplo de Joaquin Gusman, "El Chapo", que hoje vive em condições deploráveis numa prisão de segurança máxima nos Estados Unidos, eram tidos como bons gerentes. No Brasil, sem querer declinar o nome, há também um grande traficante procurado pela Polícia do Rio de Janeiro também considerado uma pessoa muito hábil com os negócios. Nemesio Rubén era o criminoso mais procurado do México. Segundo especula-se, uma namorada poderia ter dado informações sobre o seu paradeiro, ajudando as forças policiais. 

O Governo Mexicano contou com a ajuda do Governo dos Estados Unidos para a sua captura. Na realidade, ele morreu no confronto com as forças de segurança do Estado, no dia de ontem, 22. Um dos seus filhos foi capturado. De origem humilde - como, aliás, a esmagadora maioria dos traficantes -  Nemesio foi deportado dos Estados Unidos, iniciou suas atividades criminosas no estado de Jalisco, expandindo seus negócios rapidamente, tornando o CJNG numa das organizações criminosas mais poderosas do mundo. Sua morte produziu uma onda de violência talvez sem precedentes naquele país, com o registro atual de 63 mortos até o momento. Geralmente os narcotraficantes reagem dessa forma, não sabemos se em proporção semelhante. A captura dos filhos de "El Chapo" em Sinaloa, também produziram ondas de protestos e atentados.  

O Governo Mexicano, de alguma forma, vem colaborando com os Estados Unidos no sentido de minimizar o fluxo de drogas para aquele país. O Governo Trump já sinalizou que essas atitudes podem representar um afrouxamento das pressões políticas, econômicas e até militares, como ocorreu na Venezuela. A ação das forças de segurança do México contou com a inteligência da DEA americana. Mesmo assim, em face do grande poderio bélico dos traficantes, ainda estamos tentando imaginar como "El Mencho" foi morto. Esse aparato conta, inclusive, com homens extremamente preparados, cooptados das forças regulares, ou seja, o Estado investe em sua formação e eles acabam servindo ao mundo do crime, recebendo remunerações vultosas. O poder de fogo desses traficantes não fica nada a dever do poder de fogo das forças regulares policiais. Em alguns casos, é até superior. 

Editorial: O "distanciamento" entre Kassab e Tarcísio de Freitas



Ambos preferem não se pronunciar sobre o assunto, mas sabe-se que esta relação já teve dias melhores no passado.  Tarcísio de Freitas, até recentemente, era o nome preferido por Gilberto Kassab para encampar um projeto de candidatura conservadora à Presidência da República. Defendeu esta tese até quando foi possível, entregando os pontos depois de um encontro entre o governador paulista e o ex-presidente Jair Bolsonaro. Depois do encontro, Tarcísio de Freitas manifestou o apoio ao projeto de apoiar o nome do senador Flávio Bolsonaro à Presidência da República, o que levou o aliado Kassab a fazer algumas declarações públicas onde teria usado os termos lealdade e submissão. Lealdade ele até entenderia, mas submissão não. Tarcísio de Freitas acusou o petardo e retrucou, afirmando que, de fato, lealdade é uma moeda cara na política. De fato sim. Tarcísio de Freitas tem uma dívida de gratidão com a família Bolsonaro. 

A rigor, Tarcísio de Freitas, se desejarmos falar de lealdade, não pode se queixar do seu Secretário de Governo neste sentido. Desde algum tempo, Tarcísio de Freitas já havia sido ungido como potencial candidato dos segmentos conservadores à Presidência da República. Kassab, no entanto, alertava para o fato de ele não se posicionar como uma "bolsonarista". Embora louvável, a lealdade de Tarcísio, a rigor, não é o único problema. O grande problema é que ele, de fato, depende do bolsonarismo. A dependência não é apenas emocional. Tarcísio depende dos votos e do apoio do bolsonarismo. Como o capitão já havia decidido que o seu representante seria o próprio filho Flávio Bolsonaro, Tarcísio reconsiderou a possibilidade de uma candidatura. É preciso dizer, no entanto, que, a despeito do avanço da candidatura de Flávio, muitos setores conservadores ainda se sentem "órfãos" com a desistência de Tarcísio. 

A questão agora é saber se, mesmo não sendo o nome de preferência desses setores, o crescimento da candidatura de Flávio mudará este cenário. Kassab estava sendo contado para vice na chapa de reeleição de Tarcísio de Freitas, mas, diante dos acontecimentos, tal possibilidade tornou-se pouco provável. Os nomes que deverão habilitarem-se para a disputa ao Senado Federal pelo campo conservador também tem sido alvo dessas discórdias, provocando as declarações recentes de Eduardo Bolsonaro contra a postura do deputado mineiro Nikolas Ferreira, a quem acusa de falta de engajamento na candidatura presidencial do irmão. Na realidade, antes de ser indicado como candidato presidencial representado o clã Bolsonaro, Flávio Bolsonaro faria uma "dobradinha" com Guilherme Derrite pelas duas vagas de senadores do estado. Sua saída do páreo, assanhou os pretendentes ao cargo.  

domingo, 22 de fevereiro de 2026

Editorial: Rodrigo Pacheco será candidato ao Governo de Minas Gerais.

Crédito da Foto: Pedro Gontijo, Senado Federal. 


As chances do ex-presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, ser eleito para ocupar a cadeira do Palácio Tiradentes são remotíssimas. O pior é que ele sabe disso, tentou resistir às insistências do presidente Lula, mas acabou aquiescendo. Pacheco sabe que vai para o sacrifício. Será improvável, até mesmo, atingir um percentual de votos para o PT naquela praça que seja capaz de equilibrar o jogo da disputa no plano nacional, sabendo-se que é este, afinal, o grande objetivo do PT. O desgaste de Pacheco no seu estado natal foi muito bem trabalhado pela Oposição. Pacheco, na condição de Presidente do Senado Federal, seguiu um script de alinhamento irrestrito ao Executivo, o que desagradou a amplos setores da Oposição. Foi exposto à execração pública por atores com ampla capilaridade política no estado. Não tem qualquer chance. 

Resta saber qual foi acordo firmado com o morubixaba petista, sabendo-se que ele, apadrinhado por David Alcolumbre, luta por uma indicação ao STF. Aliás, tal indicação já poderia ter saído, não fosse a insistência de Lula na chancela do nome de Jorge Messias, algo ainda atravessado na traqueia de Davi Alcolumbre. Expectativa de mais um mandato para Lula? Aposentadoria precoce de mais um Ministro da Suprema Corte, quando ele poderia ser indicado? A rigor, o Planalto sabe das dificuldades que deverá enfrentar em grandes colégios eleitorais do país. São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais estão entre esses estados. Em nenhum deles a situação do PT é confortável. Muito ao contrário. 

Por isso mesmo, haveria a necessidade de analisar a situação com mais cuidado. Pacheco não é o único que o PT está tentando jogar aos leões. Em São Paulo, insiste-se na candidatura de Fernando Haddad, que sabe que se trata de uma batalha perdida -  e talvez até vexatória - maculando seu currículo político. Assim como Geraldo Alckmin, Haddad resiste à ideia de uma candidatura. Especula-se, igualmente, acerca do futuro político do vice-presidente, Geraldo Alckmin, com poucas chances de continuar nesta condição na chapa de reeleição de Lula. Lula tenta negociar esta indicação mediante o apoio do MDB, que ainda ficou mais chamuscado depois da exposição da imagem do ex-presidente Michel Temer na Marquês da Sapucaí. 

sábado, 21 de fevereiro de 2026

Editorial: As idiossincrasias dos arranjos políticos regionais.


Até recentemente, o prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes, que é filiado ao PSD, telefonou para Lula para informar que havia fechado uma aliança com o MDB local, de olho na disputa pelo Palácio Guanabara, em 2026. Lula teria aprovado a aliança de imediato. Conhecedor como poucos da política carioca, Eduardo Paes sabe que precisa dá nó em água se deseja assegurar algum espaço político naquela quadra. Políticos orientados pelos critérios ou princípios ideológicos não têm qualquer chance de lograrem êxito por ali. Basta observar o arco de alianças que ele construiu nas últimas eleições. Depois do desfile na Marquês de Sapucaí, onde esteve ao lado de Lula, criou uma aresta com o pastor bolsonarista roxo, Silas Malafaia. Antes, porém, havia afirmado que, se mexessem com Silas Malafaia, estavam mexendo com ele. 

A postura de Silas é praticamente um indício de ruptura política, um pouco do ônus que o Planalto terá que pagar em razão do desastre político do desfile da Sapucaí. Há analistas políticos prevendo, inclusive, a possibilidade do candidato Flávio Bolsonaro já aparecer à frente de Lula nas próximas pesquisas de intenção de voto. A relação do PT com os evangélicos, que já era difícil desde as últimas eleições, pode se tornar desastrosa. É sempre bom analisar as quadras regionais para entendermos um pouco sobre como as acordos nacionais estão se refletindo entre os entes federados. Neste caso em particular, talvez compreenda-se porque o ex-presidente do Senado Federal, Rodrigo Pacheco, além de admitir a sua candidatura - ou sacrifício? - em Minas Gerais, informar que pode deixar o PSD para filiar-se ao MDB. 

Salvo em algumas praças - São Paulo é uma delas - a aliança do PT com o MDB pode ser que vingue. Como diria Gilberto Freyre, nada nos surpreenderia acerca desses arranjos regionais, motivados, sobretudo, por interesses paroquiais, tempo de propaganda no rádio e televisão, maiores chances de eleição de bancadas, entre outros penduricalhos. Em eleições passadas, até bolsonaristas haviam celebrados alianças com petistas nos chamados "rincões". Outro dia, aperreado com o seu projeto de reeleição ao Senado Federal, um cacique do Centrão propôs abandonar o projeto de apoio à candidatura de Flávio Bolsonaro - o que seria mais lógico - em nome de um acordo com o PT no seu estado. Até recentemente, o pré-candidato à Presidência da República, Ronaldo Caiado, desconfiou das reais intenções do seu União Brasil. Abandonou o partido e filiou-se ao PSD. 

Ele tinha lá suas razões Para complicar o cenário, um partido que está celebrando uma aliança com o PP, partindo do pressuposto do antipetismo, acaba de namorico com este partido em alguns estados, a exemplo de Pernambuco e Ceará. Em Pernambuco o partido está fechado com a candidatura do prefeito João Campos, do PSB, mas aliado de primeira ordem do PT. No Ceará, depois de inúmeras negociações com a futura Federação União Progressista, Ciro Gomes pode não contar com o apoio desta Federação para reassumir o Palácio da Abolição. Haveria uma tendência de apoio ao nome de Elmano de Freitas, movida pela possibilidade de ampliar as chances de formação de uma boa bancada da legenda. 

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

Editorial: CPMI antecipa depoimento de Daniel Vorcaro. É segunda-feira.


O presidente da CPMI do INSS, o senador Carlos Viana, antecipa que o depoimento do banqueiro Daniel Vorcaro, antes previsto para a quinta-feira, foi antecipado para esta segunda-feira, 23, às 16h, no Senado Federal. Carlos Viana não antecipa mais detalhes, mas se sabe que ele havia solicitado a devolução ou acesso aos documentos em poder da CPMI, cujo sigilo havia sido decretado pelo Ministro do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli. O novo relator das investigações envolvendo o Banco Master é o Ministro André Mendonça, o mesmo que acompanha os trabalhos de relatoria da CPMI do INSS. Nesta segunda fase, a CPMI, que faz um trabalho seríssimo, dedica-se a investigar as maracutaias realizadas com os famigerados empréstimos consignados. O Bando Master também explorava esse tipo de empréstimo a aposentados e pensionistas, movimentando montantes volumosos. 

No bojo dessas discussões, outro assunto que não poderia deixar de ser tratado diz respeito a uma possível delação premiada que estaria sendo proposta pelos advogados do senhor Antônio Carlos Camilo Antunes, mais conhecido como o "Careca" do INSS. O curioso neste aspecto é que, sempre que o assunto é tratado pela imprensa, sugere-se que ele teria interesse em revelar um eventual envolvimento do Lulinha, filho de Luiz Inácio Lula da Silva, no contexto dessas transações irregulares. Não se sabe se o propósito é realmente este ou se trata de uma "apelação" de alguns órgãos de imprensa. Camilo Antunes está bastante incomodado com a prisão do filho. Certamente, a delação premiada teria como objetivo maior a libertação do seu filho. 

O assunto do momento são as supostas festas nababescas promovidas pelo banqueiro na cidade de Trancoso, na Bahia, onde, onde supõe-se, reunia várias autoridades de Brasília, com a presença de garotas de programa. A imprensa chegou a este assunto através de possíveis vazamentos do teor do conteúdo dos celulares apreendidos do banqueiro. Neste caso específico, haveria até imagens sobre essas festas da cueca. É o Brasil. Nenhuma surpresa por aqui. 


Editorial: A cruzada de Flávio Dino contra os penduricalhos no Serviço Público.



É realmente muito complicado levar um país com as características do Brasil a sério. Surgiu nas crônicas políticas um tal de "Pica das Galáxias", personagem extraído dos diálogos obtidos pela Polícia Federal nos aparelhos de telefone daquele banqueiro encrencado até a medula. Dizem que se tratava, na realidade, das famosas "Festas da Cueca", promovidas por ele, com a presença de altas autoridades da República, num retiro na paradisíaca praia de Trancoso, na Bahia. Há algumas pistas, mas, a rigor, até agora não se sabe quem recebia esta alcunha entre os frequentadores dessas orgias. É realmente uma pena que Stanislaw Ponte Preta já não esteja entre nós. Outra grande lambança, que poderia ter sido evitada, ocorreu na Marquês de Sapucaí, quando uma Escola de Samba comete todos os equívocos possíveis ao tentar homenagear o presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Absolutamente nada deu certo e eles ainda foram rebaixados. 

O PT aguarda uma enxurrada de representações junto à TSE e um ônus político gigantesco, embora alegue que não ouve, por  parte da legenda, qualquer interferência na concepção do desfile da Acadêmicos de Niterói. Isso pouco importa. As narrativas associaram organicamente o PT à ala dos conservadores e evangélicos "enlatados". Notícia boa mesmo são as cruzadas do Ministro do Supremo Tribunal Federal, Flávio Dino, contra as esculhambações que ocorrem com as emendas parlamentares e, agora, em relação aos chamados penduricalhos, acréscimos irregulares nos salários de alguns privilegiados servidores públicos, que superam, em muito, os tetos estipulados pela Constituição. Há magistrados recebendo milhões por ano. 

Na realidade, os penduricalhos servem exatamente a tal objetivo, ou seja, "furar" o teto. Já se saber que um monte de associações corporativas estão insatisfeitas com as medidas tomadas pelo ministro. Hoje os jornais dão conta que ele não apenas ratifica as medidas anteriores - onde determinou rigor em relação a tais artifícios - como já decretou ser ilegal a criação de novas medidas com tal objetivo. Ele sabe que o brasileiro é muito "criativo". 

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Editorial: Vazamentos supremos II


É difícil precisar essas ocorrências, mas, a rigor, a partir do ano de 2016 o país passou a atravessar momentos difíceis, de retrocesso autoritário e civilizatório. O mal foi banalizado, para usarmos uma expressão atribuída à filósofa Hannah Arendt, durante o julgamento do carrasco nazista Adolf Eichmann, em Israel. Práticas sórdidas se tornaram comuns, a exemplo dos linchamentos e cancelamentos de indivíduos perpetrados pelas redes sociais. Fiquemos apenas neste exemplo, suficientemente execrável. Num contexto como este, ainda sofremos as consequências nefastas de tal processo, traduzidas nas ameaças veladas às autoridades de Estado, como ocorreu em relação a membros do Executivo e do Judiciário Brasileiro. Ficamos por aqui apenas imaginando. Se nem tais autoridades foram poupadas desta sanha, o que não deve ter ocorrido aos cidadãos comuns pelo país afora, aqueles sem os escudos protetores das funções que ocupavam?

Ontem, em plena terça-feira gorda, policiais federais cumpriram mandados de buscas e apreensões em três Estados da Federação: São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia. O motivo seria algo já comprovado, ou seja, os vazamentos criminosos - posto que ilegais, sem ordem judicial - de dados da declaração de renda de Ministros do STF e de seus familiares. Segundo se informa, a própria Receita Federal já vinha investigando o problema. Foram identificados os servidores que estariam adotando tais procedimentos. Especula-se sobre a possibilidade de vazamentos com fins políticos, o que também não seria improvável. A cessão de senha de acesso a sistemas, distribuídas a determinados cidadãos ou cidadãs, deve sempre ser algo cercado de absoluta confiança. Neste caso, estranha o número de servidores arrolados, pelo menos um deles cedido de outro órgão, o que é mais estranho ainda. 

Vamos aguardar o desfecho de tais investigações. Hoje, logo mais, teremos a apuração dos votos das escolas do primeiro grupo do carnaval carioca. Tem gente torcendo que a escola que homenageou o presidente Lula seja rebaixada, em razão dos excessos cometidos. O PT tratou de lançar um nota eximindo-se de qualquer ingerência sobre a concepção do desfile da escola de samba Acadêmicos de Niterói O PT sabe que há uma profusão de problemas legais e políticos. Há uma enxurrada de ações por irregularidades cometidas junto ao TSE. Politicamente, o PT, que já não ia tão bem junto aos evangélicos, ficou ainda pior na fita. 

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Charge! Gilmar via Facebook

 


Charge! Aroeira via Brasil 247

 


Editorial: O "enredo" de Lula



O antropólogo Gilberto Freyre, que entendia o país como poucos, afirmava que nada seria capaz de surpreendê-lo no Brasil. Nos últimos dias ocorreram alguns fatos que merecem o nosso registro como fatos surreais, inusitados, incomuns ou até mesmo imprevidentes. Para dizermos o mínimo, naturalmente. Áudios de uma reunião entre os ministros da mais alta corte de justiça do país vazaram para a imprensa, a despeito de todas as precauções tomadas. Reunião ultra secreta, que, no dia seguinte, as falas dos seus ministros já estavam sendo divulgadas por órgãos de imprensa. Ainda não se tem uma pista segura sobre o que poderia ter ocorrido. Ao que se sabe, a Polícia Federal pode ser convocada a tentar entender o que ocorreu naquela reunião. No dia de hoje, 17, a pedido do Ministro Alexandre de Moraes, a Polícia Federal realiza operação de buscas e apreensões. A Operação de hoje está relacionada a vazamentos de dados sigilosos das declarações de renda de membros e familiares da Suprema Corte. A Receita Federal já investigava o caso. 

A despeito de ser um ano eleitoral, quando se sabe que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva deve disputar a reeleição, a homenagem de uma escola de samba alçada recentemente ao primeiro grupo do Rio de Janeiro, a Acadêmicos de Niterói,  foi marcada por uma série de melindres, a começar pelo fato de que poderia infringir algumas restrições impostas pela Legislação Eleitoral. Lula varou a madrugada para acompanhar as homenagens, mas o próprio Planalto emitiu uma série de recomendações no sentido de que os limites não fossem extrapolados. Mesmo assim, devem chover representações contra o PT, considerando-se este momento de beligerância política que o país atravessa. Alertado pelo Oposição, o Planalto cercou-se de cuidados, mas deixou de combinar o enredo com o pessoal da Acadêmicos de Niterói. Ocorreram equívocos e ilicitudes, que deverão ser analisadas pelo pessoal do TSE. 

Pior que isso só uma nota emitida pela Federação União Progressista em favor do Ministro do STF, Dias Toffoli. Uma nota sem pé nem cabeça - talvez não? - onde, de imediato, provocou uma reação na bancada da futura Federação, entre senadores que não endossaram a medida. Ciro Nogueira, sempre tão ponderado, nos últimos dias sugere-se que se encontra meio perdido. Segundo noticiou a imprensa, andou entabulando conversas com o Planalto no sentido de retirar o apoio do seu PP à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro em troca de ajustes com o PT em seu estado natal, o Piauí, onde tentará assegurar o seu mandato. Ele que é um dos personagens mais emblemáticos do Centrão. 

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco: o carnaval da governadora

 


Há alguns anos, enquanto nos dirigíamos ao trabalho, meditávamos sobre a campanha do então técnico do Governo do Estado de Pernambuco, Geraldo Júlio, alçado pelo ex-governador Eduardo Campos para assumir o comando da Prefeitura da Cidade do Recife. Orientado pelas pesquisas qualitativas realizadas por um publicitário argentino, o então governador havia chegado à conclusão de que os recifenses desejavam um gerente no comando do Palácio Capibaribe. Em inúmeros artigos publicados aqui pelo blog observávamos que os movimentos de Eduardo Campos indicavam que o seu objetivo maior era mesmo "unificar" a política pernambucana em torno do seu projeto de se tornar Presidente da República. Retirar o Palácio Capibaribe do comando do PT estava entre tal objetivo. Até os seus mais ferrenhos adversários à época foram cooptados em torno deste projeto, a exemplo de Jarbas Vasconcelos, que acabou não se materializando em razão de um trágico acidente aéreo. 

Ao chegarmos à repartição, antes das atividades diárias, escrevemos um artigo antecipando que ele seria o próximo prefeito do Recife. O artigo, naturalmente, causou alguns embaraços, principalmente entre os seus adversários à época, naturalmente insatisfeitos com o nosso prognóstico. Na realidade, conforme fazíamos todas as eleições, escrevemos uma série de artigos sobre aquele pleito específico que, se reunidos, daria um ótimo livro. Passados os anos, porém, pouca gente se interessa pelas eleições anteriores, exceto, talvez, marqueteiros, analistas políticos e publicitários. Isso nos veio a mente neste carnaval, depois de refletirmos um pouco sobre a arrojada campanha de comunicação institucional adotada pela governadora Raquel Lyra durante o período momesco, com fôlego de foliã adolescente, participando dos principais eventos, distribuindo uma alegria contagiante. Nas ladeiras de Olinda a governadora ganhou até uma sósia, tratada como irmã mais nova. 

Engana-se quem acredita que ela esteja "brincando" carnaval. O período, na realidade, foi escolhido para redimensionar a sua campanha de comunicação institucional já em curso, impulsionada por um bom momento. Não há muito o que se criar por aqui. É vender água para quem tem sede. É fazer melhor o que o João já faz. E desta vez eles conseguiram. Estamos tendo o carnaval da governadora. Mas vamos voltar ao nosso quadrado, evitando enveredar pelas áreas dos analistas de mídias sociais, publicitários, marqueteiros e nos concentrarmos na área de Ciência Política. Nos últimos dias, a presença ou não de Lula no desfile do Galo da Madrugada movimentou o mundo político pernambucano. Lula teria sido convidado pelo prefeito João Campos, do PSB, em mais uma de suas estratégias para assegurar palanque único de apoio ao projeto de reeleição do petista. 

Neste intervalo, surgiram burburinhos dando conta de que a governadora Raquel Lyra teria conversado com o morubixaba petista, dissuadindo-o da ideia. Uma blogueira chegou a anunciar que Lula não viria mais acompanhar o desfile do Galo da Madrugada. Logo em seguida, o próprio prefeito confirmou a presença de Lula no camarote oficial do Galo da Madrugada. A governadora Raquel Lyra não se fez de rogada e roubou a cena durante o desfile do tradicional bloco carnavalesco pernambucano, literalmente "colando" em Lula. Pelo menos no camarote do Galo, o palanque duplo ficou assegurado. O PSB integra o núcleo duro de apoio ao Governo Lula 3, mas a relação entre os dois partidos já gozou de melhores momentos. Hoje Lula tem dificuldades de assegurar ao partido a vice na chapa de 2026 e empurra uma candidatura à força de Alckmin na quadra paulista, algo que ele já afirmou ser improvável, sobretudo por conhecer as dificuldades da Planalto naquele estado da federação. 

O grande objetivo do Palácio do Planalto hoje é assegurar, em estados como São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro um percentual de votos que equilibre a disputa no restante do país, ou seja, permita que os votos que o PT espera obter em regiões como o Nordeste não sejam  tão amplamente suplantados. Hoje, numa avaliação preliminar, sabe-se das enormes dificuldades enfrentadas pelo presidente Lula neste momento, mas isso já é assunto para uma nova discussão. Independentemente disso, mesmo diante das dificuldades, Pernambuco sem mantém fiel ao seu filho ilustre. Os eleitores do estado estão propensos a apoiarem Lula mais uma vez, sendo fundamentalmente importante mantê-lo por perto, de preferência distante dos adversários. 

O PSD mantém um arranjo nacional que integra três governadores de Estado, uma trinca de ouro, de acordo com alguns analistas. Dizem que o projeto seria, na realidade, apresentá-los à sociedade numa chapa única, ou seja, Ratinho Júnior para a Presidência da República, Eduardo Leite para vice e o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, já seria apresentado como o "Xerifão" para ocupar o cargo de super Ministro da Segurança Pública, pondo "ordem" na casa, como fez no seu estado. Agora, tudo isso precisa ser combinado com o eleitorado, que tende a reproduzir a polarização intermitente que domina a política brasileira há algum tempo. Flávio Bolsonaro cresce a despeito das inconsistências de sua candidatura. 

Pragmático como sempre, Gilberto Kassab nunca se permite não ter uma plano "B" ou uma segunda jogada. Talvez até uma terceira. Dá como favas contadas a desistência de Tarcísio de Freitas, não se permite conversas com Lula acerca da possibilidade de indicação de um vice em sua chapa de reeleição, mantém sua trinca de ouro ativa para qualquer eventualidade de mudança de humor do eleitorado, que ele ainda acredita que poderá ocorrer. Mas, se não ocorrer, ele já tem cartas na manga. Aqui em Pernambuco, independentemente do cenário nacional, já teria alertado a governadora acerca da necessidade de não se afastar do líder petista, fundamental para o seu projeto de renovar o contrato de locação do Palácio do Campo das Princesas. A governadora parece tê-lo ouvido. 

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Lula no Galo

 


Editorial: Vazamentos supremos



Já se disse que o Brasil não é um país para amadores. E não é mesmo. Nos últimos anos, então, movido por uma série de fatores - coincidentemente todos perniciosos - ocorreu uma espécie de "banalização do mal", ou seja, comportamentos antes tidos como reprováveis, a exemplo da disseminação de notícias falsas, assédios morais institucionalizados, linchamentos morais digitais, aparelhamentos de órgãos públicos, políticas de "cancelamentos"  tornaram-se bastante recorrentes. Descemos alguns degraus na escala civilizatória. Num contexto evidente de degenerescência institucional, não estranha, por exemplo, a notícia de vazamentos ocorridos sobre uma sessão supersecreta organizada pelos ministros do Supremo Tribunal Federal. 

No dia seguinte à reunião, surpreendentemente, alguns órgãos de imprensa passaram a divulgar trechos das falas dos ministros presentes, convocados pelo presidente da Suprema Corte, o ministro Edson Fachin. A reunião tinha como objetivo uma tomada de decisão em relação à relatoria do Caso do Banco Master. Já faz algum tempo que estranhamos alguns fatos desta natureza. Processos apresentados como sigilosos chegam a alguns órgãos de imprensa com uma facilidade incomum, inclusive com teores de depoimentos dos réus envolvidos. Houve até um ministro do STF que resolveu decretar a quebra de sigilo de alguns processos em andamento argumentando justamente que o objetivo era o de minimizar os ruídos em torno do assunto, assim como as ilações produzidas por alguns órgãos de imprensa. 

Os ministros ficaram indignados com o ocorrido. Algumas providências deverão ser tomadas em relação ao assunto, para evitar essas "molecagens". Não sabem eles que tais "molecagens" são mais comuns do que se imagina no país de hoje. Chegamos a um estágio onde nem mesmo a mais alta corte de justiça do país está imune a tais investidas. Especula-se hoje sobre quem poderia ter vazado o teor da fala dos ministros durante a reunião. Mas não vamos dá mal exemplo e especular sobre especulações. Logo depois dos festejos momescos, teremos a tão aguardada presença do banqueiro Daniel Vorcaro na CPMI do INSS. O Caso do Banco Master, pelo visto, mexeu com as placas tectônicas do sistema. 

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Editorial: André Mendonça assume relatoria do Caso Master


O Ministro André Mendonça assume relatoria do caso Master. O caso do Banco Master, o maior escândalo financeiro da História do país, vem produzindo seus estragos. E tem muito mais coisas por aí. Não vamos aqui entrar em alguns méritos da questão para não melindrar, mas o cara conseguiu enredar em sua teia figurões do Poder Judiciário, do Poder Executivo e do Poder Legislativo. Sugere-se que sabia exatamente o que estava fazendo. Hoje só se fala sobre a saída do Ministro Dias Toffoli do caso, depois do relatório produzido pela Polícia Federal, onde aponta-se suspeição do ministro. Numa reunião tensa, os demais ministros da Suprema Corte decidiram pelo seu afastamento da relatoria. Segundo dizem, ele resistiu o quanto pode. A melhor analogia produzida sobre este caso veio do senador Alessandro Vieira, relator da CPI do Crime Organizado, que afirmou que tem gente tentando esconder um elefante debaixo da mesa. 

André Mendonça já imprime seu ritmo e, principalmente, seu método de trabalho ao caso, já ouvindo a PF acerca das investigações conduzidas. Sugere-se que a relação seja mais proativa. Em última análise, trata-se de uma notícia alvissareira para os membros da CPMI do INSS, uma vez que André Mendonça é também o relator dos trabalhos daquela comissão, que luta pelo acesso a documentos importantes, assim como pela presença do banqueiro Daniel Vorcaro em audiência pública. Dentro de um espírito republicano, esta comissão vem realizando um excelente trabalho e, em tese, mereceria o apoio do Poder Judiciário em suas ações, mas, como se sabe, há aqueles atores inatingíveis, protegidos pelo sistema. 

Há alguns anos ficamos bastante estarrecidos com o que presenciávamos em algumas repartições públicas. Demorou um pouco para entendermos o que, de fato, estava ocorrendo, denominado por nós como práticas de assédios institucionalizados, ou seja, assédio como política deliberada contra alguns atores, principalmente entre órgãos públicos que realizavam um trabalho que não se coadunava com as diretrizes do governo de turno, a exemplo das políticas indigenistas, em defesa do meio ambiente, de gênero, etc. Esses órgãos sofreram horrores em tempos que não estão tão distantes assim. Outros tantos foram aparelhados no sentido de servirem a tais governos, perdendo a sua condição de órgãos de Estado. Passamos por um processo de degenerescência institucional com reflexos até no Poder Judiciário. 

 

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

Editorial: Lula vem ou não vem para o desfile do Galo da Madrugada?

 


As notícias são controversas em torno do assunto. A presença do presidente Lula foi dada como certa no desfilo do Galo da Madrugada, mas, no dia de ontem, 11, passaram a circular rumores de que ele reavaliaria a sua presença, sobretudo depois de um pedido pessoal da governadora Raquel Lyra, condicionando, quem sabe, um apoio ao seu projeto de reeleição, dividindo, aqui em Pernambuco, um palanque duplo com o prefeito João Campos, hoje candidatíssimo ao Palácio do Campo das Princesas. Como se sabe, a situação política está bastante confusa a nível nacional. Kassab costura uma trinca de nomes como eventuais candidatos à Presidência da República; já teria rejeitado indicar um vice na chapa de Lula; mas a centrífuga da polarização, para variar, já começa a moer em torno do petismo, de um lado, do outro o bolsonarismo. 

Aos trancos e barrancos - ajudada possivelmente por esta intermitente polarização - a candidatura de Flávio Bolsonaro vem crescendo. Raquel, inclusive, representa uma persona política estratégica dentro dos planos do Presidente Nacional do PSD. Seria o nome com quem ele poderia contar no Nordeste. O dilema de Raquel é maior quando se sabe da força de Lula em Pernambuco, independentemente de sua performance a nível nacional, fator que não pode ser desprezado. Não duvido que, pelo andar da carruagem política, com o avanço gradual de Raquel Lyra nas pesquisa de intenção de voto, talvez seja João Campos que venha a depender dele para viabilizar o seu projeto de tornar-se governador do estado. Isso significa dizer que Lula terá um peso decisivo nas eleições estaduais de Pernambuco, em 2026. Principalmente agora que a governadora começa a equilibrar a disputa do jogo. 

A crônica política do dia de hoje, 12, no entanto, dá como certa a presença do presidente Lula no desfile do tradicional Galo da Madrugada. Caso se confirme, permanece a informação, soltada pelo próprio João Campos, de que o petista estará no desfile do Galo. O sábado está chegando e teremos a oportunidade de saber qual a informação que procede, assim como a "barriga" que andou circulando. 

Editorial: Quem será o vice de Lula?


Comenta-se que, até recentemente, o prefeito do Recife, João Campos(PSB-PE), teria mantido um encontro com Lula, onde teria reforçado o desejo do seu PSB de que o vice-presidente, Geraldo Alckmin, fosse mantido na chapa de reeleição do petista na mesma condição. Há algum tempo que os socialistas cobram uma participação maior no Governo Lula 3 e tais expectativas não são atendidas. Em discurso recente, praticamente Lula descartou a possibilidade de manter Geraldo Alckmin na chapa na condição de vice, ao afirmar que tanto Geraldo quanto Fernando Haddad teriam missões a cumprir em São Paulo. Como bom entendedor, Geraldo Alckmin já teria antecipado a petistas mais próximos que não tem qualquer interesse em participar das eleições paulistas. 

Lula, por usa  vez, tenta negociar a vice em sua chapa de reeleição com um mundo de gente. Já conversou com o MDB, onde há forte resistência da ala que não se coaduna com o Planalto, a exemplo de Ricardo Nunes, Michel Temer, entre outras figuras de proa da legenda. Por outro lado, Lula sempre teve aliados na legenda, principalmente nas federações do Norte e Nordeste. Para esses aliados, a oferta de uma vice em sua chapa seria muito bem-vinda. Ontem se especulou que, até com Gilberto Kassab, Lula teria conversado sobre o assunto. Kassab recusou de pronto, pois está aquecendo seu time para entrar em campo em carreira solo, ou seja, constituir uma alternativa à polarização entre Lulistas e Bolsonaristas. 

Já houve um tempo em que a vice de Lula era procurada entre os representantes de setores fortes do capital, principalmente com o propósito de aparar eventuais arestas ideológicas. Hoje o sistema já sabe que Lula não oferece perigo algum. Neste momento, a estratégia que está em curso é a de composição política mesmo. Setores do partido, inclusive, como é o caso de Alagoas, torcem que as negociações prosperam já de olho em 2030, quem sabe com um candidato do partido à Presidência da República, o hoje ministro Renan Filho. Aqui no Norte e Nordeste, pelo andar da carruagem política, Lula não teria grandes dificuldades de formalizar tal composição. O problema está em outras praças. 



 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Editorial: Sérgio Moro afirma que sua candidatura é irreversível.


O senador Sérgio Moro, ao longo de sua vida pública, cometeu muitos erros de avaliação. Por vezes, estamos tratando de algum traço de personalidade que não se corrige. Por algumas ocasiões comentamos sobre este tema por aqui. Vamos poupar os leitores sobre as nossas ponderações acerca dos inúmeros equívocos de avaliação cometidos pelo senador paranaense. Sérgio Moro lidera, até o momento, as principais pesquisas de intenção de voto para o Governo do Paraná. É filiado ao União Brasil, mas, para que sua candidatura se confirme, precisaria do apoio do PP, em processo de formação da Federação Progressista. O deputado federal, do PP, Ricardo Barros, conhecido como grande articulador, vetou a candidatura de Sérgio Moro no estado. Ele precisará deixar o partido se insistir no objetivo de ocupar a cadeira do Palácio Iguaçu. 

O danado é que ele está decidido a candidata-se. Trata sua candidatura como algo irreversível. Ainda é cedo para afirmar se estamos aqui diante de mais um desses erros de avaliação. Inúmeros prefeitos ligados ligados a este projeto de federação já deixaram seus partidos em razão de uma eventual candidatura do ex-juiz. Mas este imbróglio todo serve de alerta para os graves problemas enfrentados por esta Federação, inclusive no que concerne ao caso de Pernambuco, onde ela está dividida entre os comandos do deputado federal Romeu da Fonte, ligado a governadora Raquel Lyra, e o ex-prefeito de Petrolina, Miguel Coelho, que aspira a indicação para concorrer ao Senado Federal na chapa encabeçada pelo prefeito João Campos, do PSB. 

Em tese, o comando da Federação Progressista em Pernambuco ficaria entregue a Eduardo da Fonte, que possui a maior bancada na ALEPE. Hoje, um blog local especulou que o senador Humberto Costa, supostamente, poderia está tentando trazer o deputado para uma aliança quem sabe com João Campos. Aí é que as esperanças de Miguel Coelho se esvaem. O prefeito João Campos, durante o dia de hoje, sinalizou que integrar a Federação ao seu projeto político seria interessante, principalmente se tal articulação for encetada por Miguel Coelho. Ocorre que Eduardo da Fonte já anunciou que o seu projeto político hoje é uma candidatura ao Senado Federal. 

Editorial: O realinhamento de Ciro Nogueira.



Os alinhamentos das quadras politicas estaduais nem sempre reproduzem as alianças políticas celebradas no plano nacional. No Brasil, cada caso é um caso. O MDB, por exemplo, que se articula para uma eventual aliança com o PT visando as próximas eleições presidenciais, praticamente deixou a critérios das executivas regionais a decisão sobre que rumo tomar. Enquanto em alguns estados - principalmente nas regiões Norte e Nordeste esta aliança é dada como praticamente certa - em São Paulo, por exemplo, não se pode nem falar sobre este assunto, completamente fora de discussão para Ricardo Nunes. Mesmo construindo não uma, mas três alternativas a Lula e Flávio Bolsonaro, o PSD de Gilberto Kassab pode celebrar algumas articulações com o PT no plano estadual. 

No Piauí, por exemplo, onde tem o governador, o que se comenta é que haveria a costura de um acordo entre as duas legendas no sentido de "isolar" o PP de Ciro Nogueira, figura de proa do Centrão. Ciro Nogueira já foi Ministro da Casa Civil do Governo de Jair Bolsonaro e, até onde se sabe, nunca nutriu alguma simpatia pelo PT. Foi ele quem afirmou que nas últimas eleições municipais  O PT não faria nenhum prefeito de capital. Quase acertou o prognóstico. O PT só conseguiu fazer o prefeito de Fortaleza.  Agora vem o mais interessante. Segundo se especula, um dos homens fortes do Centrão teria entabulado algumas conversações com o presidente Lula no sentido de, quem sabe, afastar o PP da candidatura de Flávio Bolsonaro. O que passa a entrar em jogo é uma arranjo que pudesse viabilizar sua reeleição no Piauí, onde o PT é forte. 

Isoladamente, o Piauí, juntamente com a Bahia, onde o PT teve mais de 70% dos votos, é um dos estados onde o partido teve mais votos na última eleição presidencial, alçando Wellington Dias , Ministro do Desenvolvimento e Assistência Social, como uma liderança nacional. Sugere-se que o Piauí, felizmente, ainda não enfrenta os mesmos problemas de segurança pública do Ceará e da Bahia, onde o PT hoje atravessa grandes dificuldades. Aqui em Pernambuco, mesmo com o prefeito João Campos consolidando a sua aliança com Lula - por uma dessas ironias do destino político, pelo andar da carruagem política, talvez seja João que venha precisar mais de Lula - no plano nacional a legenda petista ainda não fechou as portas para a governadora Raquel Lyra. 

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Editorial: A trinca de "ouro" de Gilberto Kassab


Todos os movimentos executados pelo Presidente Nacional do PSD, Gilberto Kassab, no tabuleiro da politica nacional, devem ser muito bem analisados. Enquanto Lula sabe que enfrenta dificuldades em seu projeto de se tornar, pela quarta  vez, Presidente da República e Flávio Bolsonaro não consegue unir setores de direita ao seu projeto político, Kassab apresenta aos eleitores não apenas uma, mas três opções de pré- candidaturas, abarcando praticamente os campos políticos, do centro à extrema-direita, embora este adjetivo seja amplamente rejeitado até por quem não nega que é de extrema-direita. Num ato de filiação do governador Ronaldo Caiado à legenda, reuniu o governador Ratinho Júnior, do Paraná, e Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul. Em princípio, o acordo era o apoio de dois deles a quem estiver melhor posicionado junto ao eleitorado. 

Muitos analistas se precipitaram em afirmar que Kassab, na realidade, havia entrado numa tremenda enrascada. Como ele conseguiria apaziguar os ânimos e construir um consenso mínimo entre atores com os mesmos objetivos políticos? Ao que parece, no entanto, é que tudo já foi devidamente conciliado, ou seja, na realidade os acertos já teriam sido costurados. A priori já se sabe que Ratinho Júnior é aquele nome que agrega mais capilaridade junto aos eleitorado e passa agora pela "verificação" da Faria Lima. Os níveis de rejeição de Ratinho Júnior são menores junto ao eleitorado, o que lhes permite avançar nas pesquisas de intenção de voto. Neste arranjo, Eduardo Leite poderia vir como vice e, finalmente, Ronaldo Caiado poderia ser uma espécie de "xerifão", ou seja, já seria apresentando como um nome a ocupar um grande Ministério da Segurança Pública, com a capacidade de replicar, a nível nacional, os resultados alcançados na segurança pública do seu estado. 

Não brinquem com os movimentos de Kassab. É pragmatismo político em estado puro. Se a candidatura de Ratinho Júnior se consolidar, é cada vez  mais remota a possibilidade de formação de um palanque duplo em apoio ao presidente Lula aqui em Pernambuco. O apoio de Raquel Lyra ao projeto do PSD torna-se fundamentalmente importante na região Nordeste. Lula está na fase das articulações políticas e dos discursos inflamados dirigidos à militância. Suas conversas com o MDB, por exemplo, já descarta a possibilidade de manter Geraldo Alckmin como candidato a vice na chapa de reeleição. Um pouco emburrado, Geraldo Alckmin já fez circular a informação junto a petistas de que não será candidato a nada em São Paulo. 

sábado, 7 de fevereiro de 2026

Editorial: Lula acordou para a questão da segurança pública?


A Secom, comandada pelo marqueteiro Sidônio Palmeira, acompanha, sistematicamente, o humor da população em relação ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. São pesquisas para consumo interno, importantíssimas para orientar as diretrizes de comunicação institucional. A nível nacional, não raro, Lula quebra o protocolo e fura tais diretrizes, emitindo opiniões polêmicas, capazes de produzir dores de cabeça para a sua equipe de comunicação. Aqui em Pernambuco é ritmo, velocidade e entregas à população. A governadora, sugere-se que tenha um grande preparo físico, pois aparece nas imagens para as redes sociais com a "identidade" de comunicação traçada por sua equipe. 

O que ocorre no plano nacional é que o marqueteiro Sidônio Palmeira tem grandes créditos junto ao presidente e alguns membros de sua equipe mais próxima, principalmente os baianos. Outro dia li uma matéria que aponta que Sidônio já estaria articulando com um colega a assessoria de comunicação do "candidato à reeleição" Luiz Inácio Lula da Silva. Nessas pesquisas internas, seria preciso identificar qual o peso da nevrálgica questão da segurança pública sobre os índices de desaprovação de Lula, sempre superiores aos de aprovação. Essa conta não bate deste algum tempo, a despeito dos esforços da equipe de comunicação institucional, sempre apontada como a responsável por isso. Aliás, foi o próprio Sidônio que havia apontado, no início de sua gestão, que os feitos do governo chegavam atrasados à população, sobretudo em função das redes sociais. Desde então, o Governo Lula 3 tem investido bastante nesta área. 

No dia de ontem, 06, líamos uma informação - não deu para ler a matéria completa, em razão das assinaturas exigidas por esses órgãos de comunicação - que, se o governo Lula 3 continuar ignorando a questão da segurança pública poderá dá adeus às pretensões de um quarto mandato. Sugere-se que o Governo parece ter ouvido os conselhos desse especialista, pois, logo em seguida, durante inauguração de obras, este foi o mote do discurso do presidente Lula, afirmando que é preciso somar esforços para aprovar a PEC da Segurança e que irá criar o Ministério da Segurança Pública. Essa questão, infelizmente, não será resolvida até outubro. A reeleição de Lula enfrenta um problema grave. A oposição, bolsonarista ou não, irá explorar o tema como um mote de campanha, mancomunada com os parceiros do Legislativo, que vão dá aquela "maçada" costumeira. 

Em alguns estados, onde o problema é mais grave, o PT terá enormes dificuldades pela frente, a exemplo da Bahia e do Ceará, entes federados na iminência de colapsarem. A ideia segundo se especula, seria mudar os "cabeças de chapa", ou seja, retirar Jerônimo Rodrigues e Elmano de Freitas do projeto de reeleição, escalando Rui Costa, na Bahia, e Camilo Santana, no Ceará. No Ceará, o ex-Ministro Ciro Gomes já lidera todas as pesquisas de intenção de voto realizadas até agora. Ciro tem dado declarações de que não tem dúvidas que a sua disputa pela Palácio da Abolição se dará com Camilo Santana. Elmano é carta fora do baralho. Tenho uma grande expectativa em torno daquelas eleições, principalmente para ouvir o que Ciro Gomes tem a dizer sobre este problema de segurança pública no país. O cara sabe das coisas. 

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2026

O xadrez político das eleições estaduais de 2026 em Pernambuco - A reação de Raquel Lyra no Datafolha.



Num momento de intensa polarização política e torcidas organizadas, não surpreende as narrativas em torno desta última pesquisa do Instituto Datafolha sobre as próximas eleições no estado, extraindo dela apenas os elementos favoráveis de lado a lado, sem um esmiuçamento mais consistente. Como se trata de uma pesquisa recente, talvez possamos, ao longo do dia de hoje, encontrarmos análises mais isentas sobre os dados apresentados.  Segundo alguns órgãos de imprensa, a pesquisa foi divulgada somente na madrugada de hoje. O levantamento estava previsto para ser divulgado no dia 05, ontem, portanto. Divulgamos este calendário por aqui, temendo a possibilidade de termos embarcado numa barriga, ou seja, numa informação improcedente. Mas, a conta que interessa não é esta. O mais importante é entendermos as sinalizações dos números apresentados sobre a corrida sucessória ao Palácio do Campo das Princesas,  em 2026.  Mais que isso, destrincharmos sua dinâmica, cotejados com outros números - como os de avaliação positiva e rejeição - tendências e indicadores de uma campanha política. 

Quando analisamos os números da corrida presidencial, por exemplo, o candidato Luiz Inácio Lula da Silva briga com os números de desaprovação do seu Governo - sempre superiores aos de aprovação - o que, certamente, se refletem nos seus índices de intenção de voto. Por outro lado, mesmo enfrentando uma indisfarçável divisão dentro da direita, desde que lançou sua pré-candidatura à Presidência da República, o nome do senador Flávio Bolsonaro tem crescido continuamente nas pesquisas de intenção de voto, um dado alvissareiro, inclusive, para aplainar as divisões internas. Flávio Bolsonaro está se tornando um candidato competitivo. É com tais indicadores que o seu coordenador de campanha, o senador Rogério Marinho, irá tentar atrair setores do Centrão ainda reticentes à sua candidatura. 

Mas vamos voltar à província, para não nos perdermos nas divagações nacionais. Sileno Guedes, Presidente Estadual do PSB, reafirmou recentemente que a candidatura de João Campos é irreversível. De fato sim, já sabíamos disso há um bom tempo. Essa questão hoje não passa apenas por uma decisão pessoal do jovem prefeito, assim como ocorreu quando ele entrou na vida pública, logo depois do acidente que vitimou o seu pai, o governador Eduardo Campos. João Campos, aliás, integra hoje um projeto estratégico das forças do campo progressista. As circunstâncias políticas determinadas, colocando-o na condição de um grande trunfo deste campo político, aumenta sensivelmente a sua responsabilidade com sua candidatura ao Governo do Estado. Em tese, coadunando-se com todo este elenco de variáveis, ele não pode ser derrotado. 

Mas tudo isso precisa ser combinado com o eleitorado. A quadra política do estado sempre foi marcada por muitas escaramuças, mas, nos últimos meses essas escaramuças estão atingindo níveis acima de um padrão minimamente republicano. Se continuarmos neste diapasão, teremos uma campanha política de baixo nível, com trocas de farpas de lado a lado, sem um debate consistente sobre a condução dos negócios de Estado a partir de 2026.  Aquele tipo de campanha que dá mais trabalho à assessoria jurídica do que aos planejadores. Passamos alguns meses sem comentarmos os fatos ocorridos aqui, uma vez que os assuntos políticos poderiam ser tratados, sem nenhum exagero, na editoria de polícia. 

Foram episódios que desgastaram tanto a imagem da administração municipal do Recife, assim como a imagem da gestão do Palácio do Campo das Princesas, como uma suposta investigação irregular de auxiliares da Prefeitura do Recife, que o Ministro Gilmar Mendes, do STF, determinou que fossem encerradas. Os números apresentados pela pesquisa do Datafolha são favoráveis ao prefeito João Campos, assim como uma série de pesquisas que foram realizadas por outros institutos, com o mesmo propósito. No início, o gestor do Palácio Capibaribe abria uma diferença bastante significativa, indicando uma vitória ainda no primeiro turno. Ao longo do tempo, observa-se uma reação paulatina da governadora Raquel Lyra, indicando que, até outubro, possivelmente teremos um equilíbrio de forças na disputa pelo Governo do Estado. João chegou a pontuar com quase 70% das intenções de voto. 

Esta é uma previsão a partir dos olhares que lançamos sobre os números apresentados pelo Instituto Datafolha, que, por sua credibilidade e expertise, tornou-se uma espécie de "síntese" entre os demais institutos do ramo. Uma fonte confiável havia nos antecipado que a governadora Raquel Lyra teria números favoráveis neste pesquisa do Instituto. Ela tem motivos para comemorar os resultado dos últimos números do Instituto, onde aparece com 35% das intenções de voto, tirando, literalmente, 5% dos votos do seu principal oponente, o prefeito do Recife, João Campos, que crava 47% das intenções de voto. Raquel está na dela, ditando o ritmo de campanha a partir deste momento, comendo o mingau quente devagarzinho, pelas beiradas, de gole em gole, como se diz lá para as bandas de Caruaru, mantendo os socialistas na retaguarda,  apesar de ainda lideraram as intenções de voto. 

O Instituto Datafolha realizou a pesquisa ouvindo 1.022 pessoas, entre os dias 2 e 4, pesquisa realizada sob encomenda da CBN, com margem de erro de 3% e escore de confiabilidade de 95%. Os vereadores Eduardo Moura(NOVO-PE) pontua com 5% das intenções de voto, enquanto o psolista Ivan Moraes crava 1% das intenções de voto. O Instituto também ouviu os eleitores pernambucanos sobre a tendência de voto para o Senado Federal. Os eleitores desejam que a deputada federal Marília Arraes seja a nossa representante no Senado Federal. E agora? O senador Humberto Costa aparece em segundo lugar. Humberto deverá integrar a chapa encabeçada pelo prefeito João Campos, que anda numa indecisão danada em relação ao segundo concorrente. Há uma penca de nomes na disputa. 

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

Editorial: Flávio Bolsonaro deseja palanque em todos os Estados.


O CEO do Meio\Ideia, Cila Schulman, considera que a candidatura de Flávio Bolsonaro à Presidência da República está consolidada. Em relação a esta candidatura convém, prudentemente, ajustar o caleidoscópio político. Sob certos aspectos, a candidatura de Flávio Bolsonaro, de fato, está consolidada como representante do bolsonarismo. Sugere-se que o eleitor bolsonarista externa uma identificação com o candidato. Ele continua em ascendência nas pesquisas de intenção de voto. Por outro lado, existe alguns setores do conservadorismo brasileiro - inclusive com uma franja de perfil bolsonarista - que não aceitam a sua candidatura. Esses setores estariam migrando para outros pré-candidatos da direita, a exemplo de Ratinho Júnior. 

Nossa previsão é que esses setores não voltam atrás. Sabe-se pouca coisa sobre a candidatura de Flávio Bolsonaro, exceto que ela foi imposta pelo ex-presidente Jair Bolsonaro e conseguiu mobilizar a torcida organizada, mas está longe de constituir-se em consenso. Diferentemente de Flávio Bolsonaro, o nome do governador Tarcísio de Freitas já teria o seu nome "verificado", muito em função da gestão da máquina, onde conduz uma gestão do "agrado" da Faria Lima. Gestão da máquina é algo que Flávio desconhece completamente. No bojo dessa última pesquisa do Meio\Ideia, Flávio ventilou que estaria com o propósito de montar palanques em todos os Estados da Federação defendendo o seu nome como postulante à Presidência da República. O senador deve enfrentar uma encrenca pesada por aqui. 

Vamos citar apenas quatro casos, para que os próprios leitores compreendam a dimensão dessa encrenca. Em Pernambuco, há uma divisão entre atores identificados com o bolsonarismo raiz e representantes da família Ferreira, ligados a Valdemar da Costa Neto, que não demonstra grande simpatia pela candidatura de Flávio Bolsonaro; Em São Paulo, a despeito da adesão de Tarcísio de Freitas, há divergências sensíveis em relação à indicação do vice na chapa do governador, André do Prado, um nome sem consenso dentro do PL nacional, mesmo filiado ao partido; No Rio de Janeiro, boa parte do bolsonarismo já está articulada, na realidade, com o "petista" Eduardo Paes; No Ceará, então, estamos lidando com uma confusão dos diabos. Lá, o PL está fechado com a candidatura de Ciro Gomes, que é filiado ao PSDB.